12 de julho de 2011

SEM PRESSA

Encontro marcado. Relógio esganiçado que não passa hora. Mas chega o tempo. Visto o que é roupa e tudo provoco. Caminho entre ruas e vejo você ensaiando movimentos. Engraçado como somos parecidos quando sentimos medo. Sentamos lado a lado. Bar de gente contente. Alguém canta baixinho música que não me importa. Porque você importa mais que o mundo.. Medo, boca seca, garganta emperra fala e sua boca me toma em um beijo e a palavra é muda e não há pensamento e as mãos se encontram e seguimos o ritual de comer inteiros. Respiro após o primeiro contágio. Você sorri como quem vence. Eu finjo timidez e adoro deixar que você pense. E nos apaixonamos e que nada seja para sempre. A eternidade gasta o plano. Dia seguinte recebo flores, deixo recado e preparamos o próximo ataque. Decora-me nunca. Esqueça a tabuada das regras, das medidas que engolem espantos, do engano de esperar doses de igual tamanho. A pressa escalda os gatos que engordam de curiosidade. Prefiro que sejamos lentos bordando o amor que nos devora intactos. E, dia após dia, seremos sempre este confronto em proporções de novidades.

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