25 de fevereiro de 2010

Não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita Não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar Fechamos os olhos para garantir a memória da memória É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível Viver é boiar, recordar é nadar . Fabrício Carpinejar

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