26 de fevereiro de 2010

poema

Não nasci pra viver nesta prisão, nasci fadada a uma grande solidão... Este é meu fim e meu enredo... Seguir só, desbravando a própria estrada, cantando na alvorada meu segredo. Não posso ir montada, de garupa, juntando trapos, misturando medos. "Dá o pé, louro"... Eu não posso que o meu pé foi feito pra poeira. Respeite o meu feitio, a minha beira, que nasci pra lá da margem... Aguaceira. Não estou de forma pra comando, nasci pro mando - sou dona da zoeira. Aprendi a controlar a fome e o medo... Não vim de rio, vim de cachoeira. Não nasci pra viver nesta prisão, vim destinada a uma grande solidão. Respeite o meu desmando, o meu degredo... Não vim de palacete, vim de esteira. Não vim de dama, vim de passageira... Não sou madama de casa e estoque, sou de choupana, de vidro e berloque... Sou cachoeira. Não nasci pra viver com este toque - fêmea francesa. Sou da vida, danada e brasileira. Não aceito ter dono e nem fronteira... Não nasci pra viver no teu cangote, tome teu bote, derive pela beira... Recolhe o cio, transfere teu mote... muda o curso do teu rio - na poeira... Evita a queda que sou cachoeira! . Poema de Elza Fraga

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