2 de julho de 2011

ALEGRIA

Ele dança descaradamente e eu sou tão feliz. Não poderia amar esse homem, não, não é o tipo de homem que eu amaria. Mas sou feliz nessa uma semana, ou duas, não sabemos ainda. Porque ele é tão feliz, tão mais feliz do que eu jamais fui. Ele realmente curte bobeiras na televisão, coisa de quem não fica na varanda querendo se jogar, acho eu dentro de alguma lógica maluca da minha cabeça. E fica feliz se tem a lasanha preferida dele no restaurante. Feliz por causa de uma lasanha! Faz aquela cara de “delicinha que é viver”. E tem bochechas vermelinhas e não fede pó na nuca como as pessoas gastas pelo tempo ou azedo no peito como as pessoas desgastadas pelo pó. Ele me espera, faz meu banho, me cobre, me devora o tempo todo, dorme encaixado em mim. E sabe que esse garoto é só mais o garoto ou homem ou moleque ou velho da semana ou do mês. E me perdoa. E ri, o tempo todo, ele ri, como é feliz! E eu embarco em mais um trem (às vezes fantasma, desse vez da alegria) mesmo odiando viajar.

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