4 de julho de 2011

UM POUQUINHO DE FUTEBOL

Gosto de acompanhar futebol, confesso que um certo sentimento de vingar todas as mulheres quando fico a par de campeonatos, atuações de jogadores, escalações, crítica a cartolas. Futebol também é coisa de "menininha". Ou mulheres como eu dispensam esse adjetivo. No entanto, ando meio sem tempo para os campeonatos. Mas desconfio que não é só isso o que afasta minha atenção dos gramados. Percebo que, como em outras esferas da vida, o futebol tem se tornado cada vez mais moralista. E, nesse caso, o moralismo não se aproxima nem um pouco do que poderíamos chamar de ética desportiva, esta sim total e necessariamente defensável. A impressão é que cada vez mais se esquece da essência lúdica do futebol, não apenas em nome do chamado "mercado da bola", mas também em nome de um moralismo que resulta em jogadores (e jogadas) cada vez mais previsíveis, em campeonatos cada vez menos emocionantes, em juízes cada vez mais pasteurizados e sem características pessoais. Até as comemorações de gols feitas pelos craques estão cada vez mais entediantes – vide, por exemplo, a tal dancinha ridícula inventada pela Globo a partir de um imbecil personagem, o João Sorrisão. Foi-se a fascinante característica que o futebol trazia de ser decidido ali, dentro de campo, nos 90 minutos suados, tempo de unhas roídas, de corações apertados, de gritos, risos, palavrões, xingamentos. Enfim, paixão. Simplesmente pelo prazer de torcer, de ver a arte de controle da bola, a magia de balançar a rede. E não se trata de nostalgia. Só cansei de ver os jogos serem decididos fora de campo.

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