9 de março de 2010

DESATO

"Tenho muitas coisas, quero dizer, tenho muitas camadas. Uma camada de livros outra de sapatos. Tem a camada de plantas. E toalhas de rosto. Tenho camadas de cosméticos e de adereços. Uma camada de nomes e de coisas que vejo. Tudo ordenado ao meu redor. Em forma de corpo. Um corpo que me sustenta quando o meu próprio me falta. Cadeiras são meus ossos. Sapatos são meus braços. Torneiras em meus poros. Paredes como roupas de inverno. (Quando toca música em minha casa sai do umbigo) Descanso recostada nas paredes da casa Que me guardam como um abraço. Me abraço quando me derramo na sala. E na cozinha. Em geral adormeço no quarto. Tudo em minha casa tem existência. Todas as coisas significo. Com os olhos. Ou com as mãos. Minha casa tem silêncios Que ás vezes ouço. Em meu corpo Tem silêncios maiores ainda. Que às vezes ouço. E faço poemas. Faço poemas dos silêncios que ouço.

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