23 de novembro de 2009

das coisas que são precisas

Apaixonar-se não é arte fácil. É preciso ter luz nos olhos, peito cheio, frio na barriga, gosto de nuvem no céu da boca, eletricidade na pele e felicidade. É preciso, mais que tudo, sentir. É preciso aquela busca interna por ver graça naquele cenário. Aquela graça que só você vê. Aquele sorriso que só ele dá. Aquele olhar que só ele sabe desmontar. É busca de pedaço, busca por espaço. É aquela ausência dos nervos de aço. É o que te faz gostar de sertanejo, comer pastel de queijo e rir de percevejo passeando no braço ao entardecer. Apaixonar é rima banal sem ser vulgar. Mas certo dia vem um descompasso. As ligações já sufocam, o perfume enoja o estômago, a calça verde é cafona demais pra passear. O queijo do pastel fica borrachudo e nada mais rima no andar dessa paixão. É quando você volta a ser você, no gradativo dos dias, mesmo sem querer. Com seus livros do Galeano no fim da tarde, sua repúdia por café, suas pinturas de Monet e os acordes da Bossa Nova que te fazem colorido. Tudo, menos sertanejo. Sendo assim, desapaixonar seria fácil. Afinal, você se retoma, inebria-se da sua essência, ao invés daquela procura, do agradar, da mudança. Desapaixonar é mais fácil talvez que apaixonar. A diferença é que um é escolha e o, outro necessidade. (o que desejo não tem nome)

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