Perder doi mesmo. Não acredito em poses e posturas. Acredito em afetos. A dor incomoda. Agora sei que não preciso realizar nada espetacular.O essencial é que estou vivendo sem imposições:que a vida seja desdobramento e abertura. A vida vivida com gosto e dor. Em sua plenitude. Sem algemas...
14 de junho de 2010
QUEM DIRIA?
Naquele dia você me assistiu com tanto orgulho. Pediu para conversar comigo naquela mesa afastada e queria ouvir quais eram meus medos. Ouviu, apertou minhas mãos e com ar de super-herói garantiu que resolveria tudo ao meu lado. Aquela voz calma que explicava exatamente tudo que eu não entendia. Você me embriagou com aquela pele perfeita do alto dos seus um metro e mais que oitenta. Podia culpar a Bohemia mas não, foi você e seus olhos coloridos. O dia amanhecia e você continuava alí me dando coragem para resolver meus problemas. Eu comecei a fraquejar e você parou para me comprar chocolates. Eu ainda estava chorando e você tomou a frente e aumentou a voz para me acordar. Quando entramos em casa eu senti um medo como nunca havia sentido e você sorriu me garantindo segurança. Naquele dia, você me lembrou que eu era outra pessoa e devia acabar com aquele sofrimento todo. E por sua causa eu acreditei. Por causa dos seus braços fortes e daquelas suas pernas... Em trinta minutos, o sofá passou de um castigo para um alívio. E lá foi você garantir meu café-da-manhã. E depois de tantos meses, veja só você, eu estava sorrindo. Seja de alívio, seja de segurança, seja de nervoso, seja de amor, dane-se eu estava sorrindo. E depois de tudo você se entregou ao sono, no meu sofá, pela tarde toda, pela semana inteira, por um mês completo. E passei a perceber que havia idealizado o super-herói daquele dia. Eu fiz de você a solução de todos os meus problemas. Eu te chamei de presente de deus. Eu passei a acreditar em deus. Naquele bendito e amaldiçoado dia.
Quem diria que você, na verdade, era só uma ilusão de uma noite mal dormida? Quem diria que aqueles braços e pernas eram mais fracos que os meus? Quem diria que você não passava e muito menos continha toda essa segurança que imaginei? Quem diria que você só passou este mês na minha casa porque estava sem onde dormir? Quem diria que eu estava com tanto medo naquele dia e você só quis se aproveitar disso? Depois daquele dia, quem diria que você era só mais um imbecil na minha vida?
Nenhum comentário:
Postar um comentário