Perder doi mesmo. Não acredito em poses e posturas. Acredito em afetos. A dor incomoda. Agora sei que não preciso realizar nada espetacular.O essencial é que estou vivendo sem imposições:que a vida seja desdobramento e abertura. A vida vivida com gosto e dor. Em sua plenitude. Sem algemas...
10 de junho de 2010
DRAGÃO
Em 1990 fiquei fascinada com 'O perigo do dragão', livro de poesias de Bruna Lombardi, no qual tem um poema que era a síntese daquele período, da busca e das perdas de Caio Fernando Abreu, Ana Cristina Cesar e outros... O poema é:
"Pra Ana C. e caio e todos nós
era preciso fazer alguma coisa
pesquisar todas as malhas dos signos
os mapas, os índicios até achar
era preciso estudar
atentamente todos os orixás
a possibilidade de viajar
tentar o mar
era preciso
escutar keith jarret suavemente
sem se afogar
um som, um meio tom, um quadro na parede
luz de neon, e abrir um verde escandaloso na parede
paisagem que não se vê.
Por que você?
por que não qualquer um de nós que já tentamos tudo
que nos drogamos profundamente conscientes
perdidos no urbano da cidade
os olhos úmidos, a sensibilidade
de um nervo exposto, nos sentimos
metade depois.
Quem sabe os astros, as ondas de energia, as coincidências
os vôos interplanetários, uma idéia de resistência
uma coisa meio blade runner em volta
a gente de saco cheio de john travolta
tentanto achar a porta de saída.
Nos vestimos de branco, tentamos escapar
com alternativas, chás naturais, respostas no I ching
dança, poesia, artes marciais
andróides, liberdade, ecologia
músculos, danger, punk, micros, Nova York
toda ideologia é sempre tão contraditória
talvez a salvação viesse em naves espaciais
atari, eletrochoque ou a própria loucura
ralvez saber chorar ajude muito.
Era preciso rever o lugar da emoção
o sexo, essa coisa delirante
escrever um relatório hite do avesso
que falasse de telefonemas noturnos, insônia
metal pesado.
Você deiva ter se segurado em alguma coisa
uma moda, um discurso, uma idéia de si mesma
uma paixão que fosse
qualquer coisa
um mito, um guru, uma política
uma revolução, uma mentira
sei lá, alguma coisa pra se agarrar
talvez uma amiga como ela
um patamar
alguma coisa
antes de cair devagar
pela janela".
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