13 de novembro de 2009

POR QUE TE QUERO NO MEU SONO

Há dias que de tão insanos só se tem vontade de morrer. Não, a mim nada aconteceu. Só muito trabalho. Aos trinta e cinco minutos do novo dia bateu aquele cansaço, cuja única vontade (con)sequente é fechar os olhos e ir para o nunca. Dói o corpo. Mas, se pode dormir. E dormir funciona assim como um tipo de morte breve. Dorme, morre, ressuscita no dia seguinte. Em dias de cansaço, sou instinto. Bicho. Sinto fome, sinto medo e sinto falta. Ando a sentir falta. Da minha família. De algumas memórias. E, às vezes, até de mim. Não é solidão não. Moro sozinha há alguns anos e gosto do silêncio. O que acontece, vez ou outra, é que as cadeiras vazias, os lugares à mesa, a cama perfeitamente esticada e os muitos copos limpos na cozinha ficam mais visíveis. E você se lembra. E sente falta. Até daquilo que não conhece, mas, que quando vê, enxerga, se reconhece. Me lembrei do trechinho acima de um dos livros de Inês Pedrosa, a escritora portuguesa, porque (embora em outro contexto no livro) é como se, apesar de nunca ter conhecido, estivesse ali todos os dias. E, por isso, fica díficil permitir-se essa morte breve, a do sono, sem a coisa ausente. É assim mesmo, como ela disse: “não consigo morrer sem ti… porque te quero no meu sono”. Já sentiram falta daquilo que nunca tiveram? Coisa doida, né? Beijos, beijos, beijos

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